
MIDIA – O lugar do design
Maio 7, 2008Textos de Carlos Jorge de Souza
CAPAS DE JORNAIS ou Máquinas-carimbo
“O que há por toda a parte são mas é máquinas, e sem qualquer metáfora: máquinas de máquinas, com suas ligações e conexões. Uma máquina-orgão está ligada a uma máquina, com as suas ligações e conexões. Uma máquina-orgão está ligada a uma máquina-origem: uma emite o fluxo que a outra corta.” ( DELEUZE,1996, p.7)
Para localizar a transposição de conceitos da análise feita em O Anti-Édipo ( obra voltada a uma descontrução histórica e ontológica da psicanálise passando pelo pensamento de Marx e Nietzsche) para o conteúdo desta pesquisa, é necessário entender o conceito de inconsciente como usina (questão de produção de inconsciente e não de representação de conteúdos do inconsciente), onde o delírio passa a ser histórico-mundial, não familiar. A obra de Deleuze e Guattari considera existir uma história universal, que não é a da necessidade, e sim da contingência. A construção de conceitos capazes de pensar a contemporaneidade importa mais que fazer uma crítica da mesma. “O projeto é construtivista” , dizem os autores. O conceito botânico de rizoma é absorvido pelo texto do O Anti-Édipo, este conceito reconfigura-se e expande-se para o campo da psicanálise . Este conceito rizoma funciona como a porta de entrada ao pensamento deleuze-guattariano.
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O rizoma “(…) é feito de direções móveis, sem início nem fim, mas apenas um meio, por onde ele crescre e transborda, sem remeter a uma unidade ou dela derivar”. (PELBART, 2003: 216) O rizoma não é um sistema hierárquico, é “(…)uma rede maquínica de autômatos finitos a-centrados” (DELEUZE e GUATARRI, 2004, p.28).
Em a Sociedade do Espetáculo, Debord , define: “não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediadas por imagens”; é também uma cosmovisão; resultado e projeto do capitalismo; o “modelo atual da vida dominante na sociedade”; a “afirmação onipresente da escolha já feita na produção, e o consumo que decorre desta escolha; “a justificativa total das condições e dos fins do sistema existente”; “a presença permanente dessa justificativa, como ocupação da maior parte do tempo vivido fora da produção moderna”; o sentido da prática total; “a principal produção da sociedade atual”; herdeiro da filosofia baseada nas categorias do ver; “sonho mau”; etc., etc.” ( Debordb, 1997 )
O design como arte
A obra O Anti-Édipo, já algum tempo me serve como base de trabalhos elaborados durante uma graduação em artes e posteriormente uma monografia de conclusão de uma pós-graduação em sociologia urbana, necessito apontar o local da arte como elemento de avaria segundo os autores.
” A arte utiliza muitas vezes esta propriedade ao criar verdadeiros fantasmas de grupo que curto-circuitam a produçõ social com uma produção desejante, e introduzem uma função de avaria na reprodução de máquinas técnicas.” ( DELEUZE.GUATTARRI, 1996,p.35 )
O design gráfico , as interfaces das revistas e sites, não trabalham corrompendo e avariando a comunicação das máquinas sociais. São máquinas de design ligadas a outras máquinas. Não pretendo aqui responder as questões que se sucedem, espero apenas neste momento, provocar a reflexão do que seria um design com o poder da arte, ou seja ,um design que desconstrua , criando uma ferrugem social, dificultando a potencialização dos efeitos daquelas máquinas.

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A continuação deste texto está em PÓS-CABEÇA

Olá, Jorge!
Estimulantes, as suas considerações. Pontes teóricas entre “arte” e “design” se constituem em um campo permanentemente “em aberto”…
Não tenho [quase] nenhuma leitura que me permita dialogar no mesmo nível contigo, infelizmente… Mas já li um livro do Peter Pal Palbert, à época em que estagiava no Hospital-Dia do HUPE e gostei de suas idéias sobre um “novo sujeito”.
Mas, quanto às pontes entre “arte” e “design/comunicação de massa”, ainda acredito que é no campo da arte, i.e., do próprio fazer artístico e de suas poéticas que estas convergências melhor “funcionam” – e não ao contrário… E aí, me recordo, p.ex., do trabalho da Jenny Holzer, no qual ela se apropria daqueles letreiros luminosos que veiculam frases publicitárias para inoculá-los de intimismo e um potencial perturbador – onde antes havia “certeza” e “comunicação”, instala-se/instaura-se a “incerteza” própria às linguagens cifradas e à fragmentação [poética] do[s] sentido[s]…
Abraço pra ti!
Acho que vou virar visitante permanente deste espaço de inteligência…
Raul Motta