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FORTUNA IMPERATRIZ DO MUNDO

Maio 19, 2008

Ó Fortuna,

És como a lua

Mutável

Sempre aumentas

Ou diminuis

A detestável vida

Ora oprime

E ora cura

Para brincar com a mente

Miséria

Poder

Ela os funde como gelo

Sorte monstruosa

E vazia

Tu, roda volúvel

És má

Vã é a felicidade

Sempre dissolúvel,

Nebulosa

E velada

Também a mim contagias

Agora por brincadeira

O dorso nu

Entrego à tua perversidade

A sorte na saúde

E virtude

Agora me é contraria

E tira

Mantendo sempre escravizado

Nesta hora

Sem demora

Tange a corda vibrante

Porque a sorte

Abate o forte

Chorai todos comigo!

Este poema foi produzido em 1847 sob o título de “Carmina Burana”. Monges eruditos errantes (os goliardos) o teriam  escrito em latim medieval juntamente com outros 200 poemas. O que me atraiu nestes versos , além da beleza da cantata na qual foram  transformados por Carl Off em 1937 a qual já conhecia, foi a constatação inserida no texto baseada na idéia da “Roda da Fortuna” que se mantém viva nestes nossos dias de capitalismo insano . Carmina Burana é uma obra conhecida , popularizada através de comerciais de televisão e em filmes cujos enredos se desenvolvem tramas obscuros e sinistros. Veja uma apresentação da peça:

FORTUNA IMPERATRIX MUNDI

Em tempo: Carmina Burana não é um nome próprio, em latim significa “Canções de (Benedikt)beuern”. ver na wikipedia

O Fortuna,

velut luna

statu variabilis,
semper crescis
aut decrescis;
vita detestabilis
nunc obdurat
et tunc curat
ludo mentis aciem,
egestatem,
potestatem
dissolvit ut glaciem.

Sors immanis
et inanis,
rota tu volubilis
status malus,
vana salus
semper dissolubilis,
obumbrata
et velata
michi quoque niteris;
nunc per ludum
dorsum nudum
fero tui sceleris.

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