Carta ao Quinteto
Neste primeiro de junho, sinto uma vontade de me manifestar como brasileiro que acompanha a história da música brasileira a mais de 35 anos sob diversas óticas. Já fui simplesmente consumidor, ouvinte , apreciador e finalmente profissional do setor, participei de algumas produções da indústria fonográfica quando atuei como técnico de estúdio e na produção de shows e discos no período 1979/1987. Hoje , professor formado em Artes, Ilustrador e Webdesigner sou também observador atento ao “novo”.

O Quinteto Violado se faz presente e com destaque neste enredo. Ouço neste momento o vinil, eu disse vinil, do ” Até a Amazônia” que está em movimento no meu toca-discos ( não o chamo “pick up” como a garotada se refere ao prato giratório). Tenho 47 anos e aos 18 criei uma grande espectativa com relação ao Quinteto. Em 1979 fui estagiar como ” assistente de gravação” na extinta Polygram , fiz uma pequena carreira na indústria fonográfica , passei a trabalhar como técnico e posteriormente com produção na Deck Discos, ao lado de João Augusto, Monica Ramos e Ricardo Cantallupi. Mas a frustação profissional se resumira na não participação em alguns projetos com alguns grandes artistas , embora tenha concretizado grandes encontros , trabalhando ao lado do Baden, Tom, o Montenegro, Chico, Gismont,os baianos e os mineiros..naquele momento havia uma crise no setor ( como se no momento atual não estivéssemos em crise ) e assim que chegara à Polygram , para meu desapontamento, O Quinteto arribara vôo daquela gravadora, cortes no cast e na equipe técnica eram frequentes . Antes do acesso ao mundo dos estúdios, garoto nôvo, já havia adquirido o ” Berra-Boi”, “Folguedo”, ” Baião” entre outras bolachas sagradas do Quinteto, entre outras da nossa história musical . Assim que me sentia à vontade procurava saber do comportamento de alguns artistas em estúdio e procurava tirar dos técnicos e produtores mais antigos da gravadora algumas histórias, o Quinteto estava sempre presente nas minhas indagações:- O Luciano grava batera e ganzá direto, igual quando se apresenta no show? O Marcelo grava a voz juntamente com o Toinho ou separadamente?… Algumas perguntas sem fundamento técnico afinal eu era um aprendiz na profissão e também na vida. Apesar de não ter tido o contato profissional com o grupo, o Quinteto Violado me arremetia , através da sua música, ao Brasil regionalíssimo do norte-nordeste. Ouvia os discos como quem tenta sentir o cheiro daquelas terras que eles decantavam. Um dos meus sonhos , porém não se realizou: Participar de uma gravação com o Quinteto e ter estampado o meu nome em uma de suas capas , mesmo que fôsse: Assistente de gravação : Carlinhos, era o máximo que como estagiário conseguiria.
Roberto Santana, produtor da época, me relatava alguns episódios de estúdio vividos com o “pessoal violado”. Os técnicos de gravação como João Moreira, Jairo Gualberto e Ary Carvalhaes, que foram meus mestres para o aprendizado de estúdio, também eram incomodados pela minha curiosidade musical. Ouvia histórias de Elis, Raul, Vinícius e até Cat Stevens que eles haviam presenciado, mas o Quinteto sempre se destacava nas minhas inquietações… VOU TROCAR O DISCO….
Coloquei a faixa 5 do “Até a Amazônia?!” – Canção Marginal, a letra fala :
Vou na margem deste rio, deste rio chamado tempo… Onde a voz do Toinho se destaca no refrão e depois no vocalize final. Leio na contra-capa do lp: “TOINHO: viveu o advento da Indústria no Nordeste. Nela buscou solução profissional. Foram necessários 10 anos para a opção definitiva: Músico. Fez a direção musical desse trabalho.
O Tempo e a vida são rios que ora se encontram para formarem novas ondas ou se desencontram para também provocar outros movimentos . Há rios também que não tomam conhecimentos um dos outros e que banham paisagens distintas. O Quinteto Violado é um grande rio que arrecada outros pequenos rios e nos leva a uma extensa viagem.
Sigo , por enquanto na minha viagem…
Obrigado Quinteto, obrigado Seu Toinho…
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Vítima de uma enfarte fulminante, morreu na madrugada desta quinta-feira, em seu apartamento no município de Jaboatão dos Guararapes, o músico Toinho Alves, um dos fundadores do grupo Quinteto Violado. Aos 65 anos, o corpo do músico foi encontrado na manhã desta quinta-feira e será enterrado nesta sexta-feira, em Recife.
Natural de Garanhuns, Toinho Alves integrava uma família de músicos e aprendeu música antes de ser alfabetizado. Em sua cidade, participou da Banda Municipal e, ao se transferir para Recife, trabalhou como engenheiro químico antes de optar em definitivo pela música. No inícios dos anos 1960, criou o grupo vocal Os Bossa Norte, do qual também fez parte o percussionista Naná Vasconcelos. Em 1971, fundou o Quinteto Violado, que continuava em atividade.








