Ó Fortuna,
És como a lua
Mutável
Sempre aumentas
Ou diminuis
A detestável vida
Ora oprime
E ora cura
Para brincar com a mente
Miséria
Poder
Ela os funde como gelo
Sorte monstruosa
E vazia
Tu, roda volúvel
És má
Vã é a felicidade
Sempre dissolúvel,
Nebulosa
E velada
Também a mim contagias
Agora por brincadeira
O dorso nu
Entrego à tua perversidade
A sorte na saúde
E virtude
Agora me é contraria
Dá
E tira
Mantendo sempre escravizado
Nesta hora
Sem demora
Tange a corda vibrante
Porque a sorte
Abate o forte
Chorai todos comigo!
Este poema foi produzido em 1847 sob o título de “Carmina Burana”. Monges eruditos errantes (os goliardos) o teriam escrito em latim medieval juntamente com outros 200 poemas. O que me atraiu nestes versos , além da beleza da cantata na qual foram transformados por Carl Off em 1937 a qual já conhecia, foi a constatação inserida no texto baseada na idéia da “Roda da Fortuna” que se mantém viva nestes nossos dias de capitalismo insano . Carmina Burana é uma obra conhecida , popularizada através de comerciais de televisão e em filmes cujos enredos se desenvolvem tramas obscuros e sinistros. Veja uma apresentação da peça:
FORTUNA IMPERATRIX MUNDI
Em tempo: Carmina Burana não é um nome próprio, em latim significa “Canções de (Benedikt)beuern”. ver na wikipedia
O Fortuna,
velut luna
statu variabilis,
semper crescis
aut decrescis;
vita detestabilis
nunc obdurat
et tunc curat
ludo mentis aciem,
egestatem,
potestatem
dissolvit ut glaciem.
Sors immanis
et inanis,
rota tu volubilis
status malus,
vana salus
semper dissolubilis,
obumbrata
et velata
michi quoque niteris;
nunc per ludum
dorsum nudum
fero tui sceleris.






